A Histeria nos dias de Hoje!

Ainda existem as Histéricas e o que dizer dos Histéricos?

Quais os sintomas da Histeria?

Qual a diferença entra Conversão e Somatização?



As mudanças históricas, culturais e sociais vem trazendo um novo olhar para a clínica, nas suas classificações, técnicas e nos tratamentos. Um exemplo dessa mudança é a “doença” que era chamada Histeria, muito famosa por ter sido, no final do século XIX, a condição psicológica que deu asas ao invento da psicanálise freudiana.


Na época em que Freud se debruçou sobre esse fenômeno, muitas mulheres apresentavam sintomas muito característicos como estereotipias, paralisia em determinadas partes do corpo, mutismo, cegueira, déficits de memória, entre outros porém tudo parecia bem com os órgão afetados e os sintomas surgiam de desapareciam sem um entendimento dos médicos da época. O que podemos perceber com essa sintomatologia então é que a sua característica predominante é a inexistência da causa físico-biológica exata, em outras palavras, não é possível determinar a causa da doença por meio dos exames físicos disponíveis.


Através de experiências com a hipnose foi que a origem desses sintomas foram descobertos, e adivinhem, eles tinham raiz psíquica pois essas mulheres perdiam os mesmos sintomas quando hipnotizadas, e voltavam a tê-los assim que a hipnose cessava. Interessante não?


Os estudiosos perceberam então que a causa dessa doença não estava no corpo, e sim na mente. No entanto, o que poderia acarretar tais sintomas? Percebeu-se que havia um padrão de comportamento no enfrentamento dos problemas da vida dessas mulheres, e que esses sintomas nada mais eram do que um mecanismo de fuga e significação de situações sentidas e insuportáveis que elas vivenciaram, geralmente no período da infância.


Com o avanço da Psicanálise, Freud chegou a conclusão que não era mais preciso usar a hipnose para tratar estes casos, visto que alguns efeitos colaterais surgiam com o tempo. A técnica focou-se na associação livre, rememoração e elaboração durante um percurso analítico sempre preservando o vínculo de confiança ético e sigiloso entre o Analista e Analisando (nome mais contemporâneo dado aos pacientes de Psicanálise)


Atualmente pensa-se a histeria enquanto comportamento, assim não existe um gênero específico contemplado sobre a égide da Histeria, sim temos homens "histéricos" também e não necessariamente os sintomas físicos somente. Além disso descobriu-se que algumas personalidades têm mais propensão ao comportamento histérico do que outras. Por esse motivo a partir do DSM III o termo se desmembrou e deu origem a outras classificações. Alguns autores dividem os sintomas histéricos em 4 vertentes sendo uma mais depressiva, uma que apresenta um comportamento infantilizado, presença de posturas disruptivas na tentativa de transpor as regras sociais e por último uma histeria que tende a apresentar sintomas físicos e somáticos.


Posto isto, quando os sintomas são de natureza física (sensitivo-motor) são chamados somatoformes (conversão e somatização) por exemplo dores difusas, paralisias, dormência nos membros, cansaço físico, sonolência, erupções cutâneas, onicofagia (roer unhas), tensões musculares localizadas, agitação nas pernas, tremores e assim por diante. Já quando são de natureza psicológica como por exemplo esquecimentos, choro sem motivo, nervosismo, agressividade, ausência de prazer, manias, intransigência dentre outros, foram denominados dissociativos. A conversão segue a mesma lógica inicial, ou seja, não há exatamente algo físico que justifique a manifestação que o paciente se queixa, entretanto nos pacientes somatizadores existe um adoecimento do corpo, muitas vezes causado tanto pela tentativa de uma expressão emocional contida ou em alguns casos por uma exposição repetida à situação que gera estresse e desconforto, a Psicoterapia pode ajudar a elucidar melhor essas causas.


Evidentemente esses são sintomas muito comuns de várias doenças, por isso apresentando qualquer um deles, uma avaliação clínica criteriosa é primordial, inclusive para que a decisão sobre qual a melhor forma de tratamento entre seu médico e seu psicólogo seja eficaz.


Essa nova visão e cuidados multidisciplinares acabaram por diminuir o fenômeno chamado histeria e que causava espanto até então, pois podemos agora entender melhor a partir da ideia de um comportamento. Em outras palavras o paciente apresenta uma gama de sintomas que são causados por uma redes de associações subjetivas e que permitiriam uma diminuição de sua angústia frente a resolução ou o enfrentamento de questões que foram ou são difíceis, porém conforme visto nada agradáveis.


Podemos concluir com isso que, de fato, o que mudou em relação à histeria foi sua categorização enquanto “doença”, mas se pensarmos enquanto um comportamento de fuga de uma realidade dolorosa, os estudos de Freud continuam atuais e o tratamento psicoterápico ainda é o mais recomendado para esses casos.

Invista em sua qualidade de Vida e cuide-se bem!


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2016 por patrícia cividanes