"Odeio Ser Bipolar, é Muito Bom"!!


Qual seria o motivo de tanta oscilação no meu humor?

Me sinto incompreendido com esses ciclos emocionais!

As vezes sou incrível e depois de algum tempo me sinto a última criatura da Terra!

Com essa frase retirada de um MEME na internet, começamos a pensar sobre uma condição “emocional” muito peculiar que algumas pessoas apresentam e que pode assumir características de uma síndrome propriamente dita, ou seja, um conjunto de sintomas e sinais observáveis.


Você pode ter convivido com alguém assim se é que já não o faz ou até mesmo irá se reconhecer nesta condição. Mas calma, nem tudo é transtorno, nem tudo é uma doença, nem sempre você deve sair correndo e procura um médico para “tomar” medicamentos “traja preta”!


Vou tentar explicar de maneira bem acessível, algo que cotidianamente chamamos de Bipolaridade, ou seja, dois polos, dois extremos opostos emocionais onde viver em equilíbrio é praticamente impossível!


Até o século 19 o Transtorno Bipolar era chamado de Psicose Maníaco-despressiva, porém essa mudança foi feita já que nem sempre os pacientes apresentam uma distorção grave da realidade. Entretanto essa nova abordagem trouxe também vários subtipos que exigem um psicodiagnóstico cuidadoso por parte de um psiquiatra e de um psicólogo.


É muito comum apresentarmos mudanças de humor. Se algo nos acontece e nos deixa profundamente tristes ou extremamente felizes possivelmente sua resposta emocional está correta e não há nada para se preocupar.


Quando perdemos alguém importante de maneira repentina por exemplo ficamos tristes, recolhidos por algum tempo na tentativa de uma elaboração externa e interna deste episódio. Como será a minha vida a partir deste evento? O que farei? Como entender a falta e a realidade de que nunca mais estaremos juntos?


Esse processo chama-se Luto e parece muito natural que as emoções surjam nos ajudando com a elaboração simbólica do vazio, isso é orgânico e psicofisiológico.


De outro lado, podemos ser presenteados com uma situação extremamente feliz, ser promovido, um reencontro afetivo, uma viagem, a resolução de um conflito. Imagine por exemplo que você vem trabalhando em algo já há alguns anos e finalmente tem o seu esforço reconhecido por aqueles que estão ao seu redor! Essa é mais uma reação do corpo e da mente à uma expansão emocional com uma liberação intensa de substâncias que nos trazem a sensação de felicidade.


Veja bem, os dois polos emocionais estão ai, mas isso não significa que estejamos doentes e que as drogas reguladoras de humor sejam a saída, concorda!?


As pessoas vem “enlouquecendo” e se desequilibrando não porque sentem as emoções mas exatamente por não senti-las!


Vamos voltar ao nosso tópico principal, onde as mudanças bruscas de humor sem uma causa real prejudicam consideravelmente a funcionalidade do indivíduo nos campos social e profissional. Veja a seguir esses dois polos bem distintos, agora mais comprometedores, em que a pessoa pode oscilar como ciclos mais ou menos regulares.


De um lado sentem-se extremamente eufóricas, com aumento repentino da auto-estima, engrandecimento do eu, percepção de invencibilidade, fala acelerada, delírios de grandeza, desinibição social, sexual e humor muito expansivo. Vale lembrar que esta condição é normalmente reconhecida pela sociedade e pela mídia como “estar bem”!


No outro extremos sentem-se profundamente tristes, choram frequentemente, demonstram apatia especialmente sobre aspectos dos cuidados pessoais e de higiene, desvalorização da própria vida, desesperança, ausência de prazer social, sexual e fadiga debilitante.


Esse ciclos, longos ou curtos, com duração de meses ou anos acontecem com mais frequência em idades próximas aos 18 anos ou entre os 60 e 70 anos. Veja bem, nessas idades existem motivos bem claros para oscilarmos de humor, no início de uma vida adulta e na direção de velhice obedecendo o ciclo natura da vida.


Mais uma vez o olhar de um profissional habilitado na saúde mental (Psicólogo ou Psiquiatra) é que pode diferenciar melhor essas particularidades, a indicação do tratamento seja medicamentoso, psicoterapia ou a associação de ambos é uma decisão conjunta e cautelosa.


Segundo os estudos as mulheres tem mais probabilidade de apresentarem “ciclagens” rápidas, enquanto os homens tem sua condição agravada pelo uso de substâncias como álcool e drogas. Alguns estudos indicam inclusive um forte componente familiar e genético para esta condição e o índice de suicídio pode aumentar em até 15 vezes quando comparado à população em geral.


Na clínica escuto pacientes com o relato de que quando “ciclam” ou seja, quando mudam de humor repentinamente, sentem alguns sinais, especialmente mas nítidos na transição da “depressão para a mania” como: Redução da necessidade de sono, fala rápida, interesse por novos projetos “mirabolantes”, irritabilidade podendo chegar a paranoia em alguns casos mais graves.


Todos estes sintomas podem caracterizar também outros transtornos, avaliar a sua condição geral de saúde, o uso substancias tóxicas lícitas ou não e abuso de medicamentos ou álcool devem ser levados em consideração.


Inclusive observar a condição orgânica e carências alimentares podem trazer uma nova luz ao problema. Sabia por exemplo que a falta de selênio, mineral que ajuda na produção de serotonina, pode causar sintomas de depressão?


Este composto está presente nas nozes e em grande quantidade na castanha do Pará, sendo que comer uma por dia seria o suficiente para resolver esta carência. No consultório sempre pergunto aos meus pacientes deprimidos se eles tem ingerido nozes e para minha surpresa praticamente nunca comeram ou só no período das festas natalinas.


Carência de vitamina D é fator desencadeante de sintomas depressivos, ela pode ser adquirida recebendo diariamente de 10 a 15 minutos de luz solar direta, isso mesmo aquele "solzinho" da manhã pode te ajudar mais do que você pensa! Fica aqui uma nota que pode te ajudar muito para casos de depressão leve!


Alguns pacientes já me disseram que se pudessem manter uma escala de mania de 7,5 seria maravilhoso, o que eles querem dizer com isso é que um pouquinho de euforia traria prazer e disposição para a vida, mas será que estar assim, "semi-eufórico" é tão bom mesmo?


Uma condição que merece cuidados também é a Ciclotimia e Hipomania, trata-se de ondas de alteração no estado geral de humor, mas contudo em direção à uma leve euforia ou entusiasmo. Por ser mais sutil, não chega a comprometer radicalmente a vida do paciente. Frequentemente, a queixa surge no consultório sobre os episódios depressivos infundados, na visão do paciente e não sobre a mania. Geralmente esta condição não requer tratamento medicamentoso mais rigoroso, exercícios físicos e psicoterapia tem um ótimo efeito no quadro.


O tratamento medicamentoso do Transtorno Bipolar em geral é feito por Lítio, considerada uma droga antimaníaca e estabilizadora de humor. Foi descoberto em 1949 por acaso mas que trouxe um ganho importante no tratamento por gerar um equilíbrio da química iônica cerebral. Pode ser usado sozinho ou associado à outros medicamentos e o monitoramento dos níveis sanguíneos é fundamental para o ajuste da dose.


Vale lembrar que, como toda droga, podem surgir efeitos adversos como tremores, discreto retraimento social e ganho de peso possivelmente pela retenção de líquidos. As crises podem desaparecer ou reduzirem em muito seus episódios, manter um acompanhamento médico e psicológico é portanto a condição ideal.


Até aqui vemos como pode ser complexo o tratamento e abordagem do Transtorno Bipolar. Ele exige várias frentes multiprofissionais para a recuperação da saúde do paciente. Não basta "passar no médico" e receber uma receita milagrosa, o bem estar é algo que requer uma mudança de atitude interna e uma abertura à novos paradigmas de vida.


Pode ser que você precise de ajuda neste processo, busque bons profissionais que inspirem confiança e que tenham um bom embasamento teórico e prático, você e sua saúde mental merecem!


Se precisar de mais informações clique aqui e envie um e-mail ou WhatsApp.



2016 por patrícia cividanes