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os encontros na psicologia contemporanea

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Psicologia Contemporânea* é um pensamento idealizado por Leonardo Maia sobre as práticas e abordagens clínicas. Propõe, de forma orgânica, a articulação entre diferentes tradições do pensamento psicológico e filosófico em uma prática clínica viva.

Parte-se de uma articulação sistêmica, que dialoga com a Teoria Geral dos Sistemas de Ludwig von Bertalanffy e com os desdobramentos que Gregory Bateson deu a ela na clínica: a ideia de que o sujeito não pode ser compreendido isoladamente, mas sempre em relação, com sua história, seu corpo, sua cultura e com o outro que o escuta. A essa base sistêmica soma-se a escuta psicanalítica, freudiana em sua origem e atenta, na tradição francesa, à leitura do sujeito construído pela linguagem, o que orienta a atenção ao inconsciente e aos sentidos que emergem em cada relato clínico.

Neste campo de ressonância, o encontro é a palavra-chave. Não como simples presença de duas pessoas em uma sala, mas como acontecimento, próximo ao que Martin Buber chama de relação Eu-Tu: um encontro que transforma ambos os termos, analista e paciente, distinto do vínculo instrumental que Buber nomeia Eu-Isso. É nesse encontro que se dá a observação profunda da condição humana e a empatia entre os pares analíticos.

A interação entre essa ciência e suas técnicas psicoterápicas aproxima a Psicologia Contemporânea do pensamento complexo de Edgar Morin, que recusa o isolamento disciplinar em favor de saberes que se cruzam. Dessa interação nasce a base para interpretar os fluxos percebidos da realidade e, com isso, particularizar os atendimentos a cada paciente, sem reduzi-los a protocolos ou categorias diagnósticas fechadas. Essa preocupação dialoga diretamente com a crítica à medicalização generalizada da clínica contemporânea e à ideia da “solução química” como metáfora de cura, tema também desenvolvido na pesquisa de mestrado que fundamenta este pensamento.

Psicologia Contemporânea potencializa-se especialmente a partir das vivências compartilhadas por profissionais, resultado de suas escutas e acolhimentos clínicos. Nessa dialética, encontramos convergências entre abordagens, fazeres e fundamentos que diminuem o sofrimento e a angústia dos pacientes e desenvolvem uma conexão rizomática: uma rede sem centro fixo e sem hierarquia única, capaz de ligar pontos distantes sem depender de um tronco comum. Essa rede ampara o psicólogo no “estar sozinho” diante do fenômeno psíquico, expressão que ecoa o conceito winnicottiano da capacidade de estar só, um amadurecimento que só se torna possível na presença de um outro que segura essa experiência, seja o paciente diante do analista, seja o próprio analista diante de sua comunidade de pares.

Para tanto, a vivência profissional se organiza em duas matrizes que se articulam entre si.

A primeira é a matriz de Leituras. Nela, as leituras sistêmicas orientam diferentes abordagens clínicas e teóricas; o psiquismo é compreendido a partir do corpo e da cultura que o formam; e os tratamentos mais recentes da clínica contemporânea ampliam o repertório disponível para cada caso. Essas leituras não se somam por acréscimo: elas se cruzam, de modo que cada abordagem amplie, e não restrinja, o que se pode compreender de um sujeito.

A segunda é a matriz de Cuidados. Nela, os cuidados sistêmicos se apoiam em práticas contemporâneas de acolhimento; uma ética profissional orienta cada decisão clínica; e o encontro volta a ser central, mantido vivo pela escuta clínica constante. É desse conjunto que nasce uma homeostase possível: um equilíbrio sempre provisório, renovado a cada sessão, entre o sujeito e sua própria experiência psíquica.

Juntas, essas duas matrizes guiam o psicólogo e o terapeuta em sua trajetória profissional, conceitual e de desenvolvimento pessoal.

*Este conceito e este nome fazem parte de um projeto de pesquisa em desenvolvimento para publicação em breve.

Desde 2016 por Leonardo Maia ®

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