Ansiedade ou Pânico? Entendendo e tratando as crises.


Afinal qual a diferença entre uma crise de ansiedade e um ataque de pânico?

Como minimizar os efeitos de uma crise?

Quem pode me ajudar antes e após um episódio de pânico?


Quando falamos dos quadros ansiosos, parece que nos referimos também ao mal do último século! O número de pessoas diagnosticadas e o uso indiscriminado de reguladores de humor, antidepressivos, hipnóticos e sedativos é alarmante. A venda desses medicamentos cresceu mais de 40% nos últimos 10 anos gerando fortunas para os grandes laboratórios farmacêuticos. Seria isso uma epidemia? O que você acha?


Vale uma reflexão já de início, será sempre necessário fazermos o uso drogas ultra fortes e com potencial de vício para controlar as nossas emoções?


Antes de respondermos à estas questões, gostaria de explicar um pouco como tudo isso funciona. Eu acredito que quando entendemos melhor os problemas, podemos manejá-los buscando estratégias e tratamentos mais eficientes e saudáveis, por isso leia este texto até o final, talvez o que falte seja exatamente informações mais claras sobre o tema.


O que é a ansiedade e o pânico?

No consultório escuto os pacientes me relatarem experiências muito diferentes sobre o que acreditam ser os sintomas ansiosos ou de pânico, por exemplo: enquanto alguns sentem sintomas físicos como dores musculares, cefaleia, queimação no estômago (gastrite), pulsação acelerada, tonturas, tremores e sudorese nas extremidades. Outros mencionam sintomas de ordem emocional ou cognitiva como preocupação, irritabilidade, confusão mental, sonolência, agitação, angustia, aceleração dos pensamentos, ideias catastróficas e insegurança nas decisões.


Parece que tratam-se de coisas completamente diferentes, no entanto o Psicólogo, além de prestar atenção nestes sintomas, preocupa-se especialmente com a fala, o dito ou a maneira com que cada paciente relata os episódios da crise. Nosso trabalho basicamente busca estabelecer relações entre os sintomas e a história de vida particularizada de cada paciente.


Psicodiagnósticos:

Inicialmente para ilustrarmos partindo do modelo médico e teórico postulado por Hollander, teríamos dois grandes grupos dos "quadros ansiosos":


O primeiro é formado por pacientes que tem a percepção de estarem ansioso já há algum tempo (mais de 6 meses), uma "sensação" constante com ou sem motivo claro, esta é a Ansiedade Generalizada e seu tratamento tem uma ótima resposta somente com psicoterapia.


No segundo grupo, teríamos aqueles que apresentam sintomas sob a forma de crises abruptas e usualmente muito intensas seja de ansiedade ou de pânico. Quando surgem isoladas são chamadas de Crises de Ansiedade. Porém se ocorrerem em intervalos curtos e repetidos, chamamos de Síndrome de Pânico, a diferença está justamente na frequência. Já nas crises e síndrome, muitas vezes é necessário o uso de medicação associando sempre psicoterapia.


Em qual destes dois grupos você se percebe ou identifica alguém próximo? Naquele que apresenta ansiedade generalizada ou no grupo de pacientes que tem crises pontuais ou frequentes?


Antes mesmo do tratamento, é importante descartarmos causas físicas ou orgânicas. Com frequência, eu proponho aos pacientes que em paralelo à psicoterapia, realizem um check-up com um médico de confiança buscando descartar qualquer suspeita de outras enfermidades. Só assim considero uma causa emocional ou psicológica genuína. Isso é essencial para o sucesso do trabalho clínico, porém nem todos os profissionais tomam estes cuidados. Sempre devemos olhar para estes casos de maneira multidisciplinar pois o emocional pode sim adoecer o físico e vice-versa.


Para saber mais continue lendo ou faça contato pelo link logo abaixo.


Ansiedade:

Não é preciso dizer que esta condição é extremamente complexa, tendo desde origens em doenças orgânicas à causas farmacológicas pelo uso de medicamentos ou drogas. Hipertireoidismo, lúpus, corticoides e até mesmo intoxicações por metais pesados podem desencadear a sensação de ansiedade.

Você sabia por exemplo que o alcool altera o equilíbrio cerebral e após uma noite de bebedeira, grande parte das pessoas irá se sentir ansiosa no dia seguinte?


Outros fatores como desregulação hormonal especialmente em mulheres e os ciclos menstruais podem sim causar estes mesmo sintomas. Tabagistas tem maior propensão à apresentarem ansiedade especialmente entre os cigarro e pessoas que fazem uso de drogas, leves ou pesadas, seguem na mesma esteira.

Viram, a ansiedade tem várias origens e tudo deve ser investigado à fundo.


Pânico:

Esta resposta "emocional e física" é desencadeada na verdade pelo sistema nervoso autônomo frente uma situação interpretada como sendo de perigo real ou imaginário. Há nestes eventos, o disparo de um gatilho ancestral que tem como objetivo lutar ou fugir. O corpo produz uma forte descarga de adrenalina, à partir daí os sintomas surgem rapidamente reduzindo a capacidade de julgamento do paciente!

Os sinais mais comuns são a taquicardia, falta de ar, suor nas extremidades, tremores, despersonalização, medo da morte eminente e instabilidade. A cada episódio o paciente vai ficando mais e mais preocupado em não conseguir se controlar e começam os prejuízos nas esferas social, profissional e emocional.


Tratamento com medicamentos:

Em casos mais graves o tratamento inicialmente é medicamentoso para conter as crises associado à psicoterapia. São usados diversos fármacos como sedativos, hipnóticos, reguladores de humor e antidepressivos, eles portanto sedam, reduzem a consciência, "encorajam" o sono ou estimulam os pacientes. A medicação só alivia os sintomas e não trata a causa raiz dos problemas, por isso muitas pessoas ficam dependentes dos medicamentos para o resto da vida! Ou seja, enquanto o paciente usa o "rémedio", tudo fica bem... mas basta tirar a medicação que os sintomas voltam muitas vezes mais intensos.


Evidentemente estas drogas são fundamentais na crise, na retomada do trabalho, na possibilidade da recuperação das relações sociais e somente podem ser usadas mediante prescrição médica. Como todo medicamento apresentam efeitos colaterais que nem sempre são mencionados na consulta médica mas sempre são sentidos pelos pacientes. Estes efeitos adversos podem ser perda da consciência, esquecimentos (amnésia), prejuízo da aprendizagem, comprometimento na capacidade de dirigir ou de usar computadores, retraimento social, dependência química, redução da libido, euforia e até ideias suicidas. Caso um desses efeitos seja muito forte, fale rapidamente com o seu médico.


Tratamento com Psicoterapia:

Pensando por uma ótica psicanalítica que de fato mais me agrada, Freud já havia chegado à uma conclusão importante há quase 100 anos atrás sobre nossos estados emocionais.


Ele percebeu que a causa para estes episódios desagradáveis, muitas vezes pode ser uma rede associativa de ideias que culminam em um medo injustificado de algo ou de alguma situação na tentativa de escondermos alguma lembrança traumática. Portanto o paciente, através da fala e da elaboração, pode melhorar sensivelmente seus sintomas buscando um estado mais equilibrado e desenvolvendo técnicas próprias para o controle emocional com a ajuda do terapeuta.


A psicoterapia deste modo, auxilia nas crises e no alívio dos sintomas preservando a saúde mental com efeito duradouro. O paciente, no decorrer do acompanhamento psicológico, pode inclusive deparar-se com a decisão que já é o momento da redução da dose ou mesmo da suspensão da medicação (o que deve ser feito com supervisão médica).

Já acompanhei e acompanho alguns casos neste sentido e minha experiência clínica mostra que o sucesso depende do engajamento dos profissionais envolvidos e do desejo do paciente em se recuperar.


É dizer que pelo método psicoterápico, poderíamos recolocar as emoções, as experiências e as memórias perturbadoras nos "trilhos"!


Sentir é também elaborar e a fala em cada sessão pode reorganizar essa cadência de ideias evitando reações psicossomáticas (somática = que se relaciona ao corpo).


Exercícios dos 5 sentidos:

Um ótimo exercício para o controle das crises é uma técnica que chamo de “Contato com os 5 Sentidos”, lembre-se dela da próxima vez.


Inicialmente respire profundamente algumas vezes até normalizar o seu ritmo procurando sentir o aroma do local e dê um nome para este cheiro (Olfato). Em seguida passe a língua no interior da boca e sinta o gosto, qual o sabor que você encontrou? (Paladar). Agora escute algum som ao redor, pessoas falando, música, obras, chuva, pássaros... fique alguns segundos atento à isso (Audição). Olhe para algum ponto e atribua uma característica, veja a cor, aspecto, forma (Visão) e por último toque em algo, alguém ou em você mesmo e sinta a textura e a temperatura, este sentido está distribuído por todo o corpo, em sua pele (Tato).


Durante todo o exercício permaneça respirando em um ritmo agradável. Assim você se coloca presente e faz com que sua mente tenha o controle do seu corpo encontrando tempo para se reorganizar.


Se você passa por problemas relacionados à ansiedade ou pânico ou mesmo conhece alguém vivendo assim, não espere que hajam mais prejuízos, procure ajuda hoje mesmo!


Para quem mora fora do Brasil ou em regiões afastadas dos grandes centros, a Psicoterapia online pode ser uma ótima opção.


Se precisar de mais informações ou para agendar uma sessão, clique aqui para enviar um e-mail ou WhatsApp.



2016 por patrícia cividanes