• Leonardo Mariano

Como cuidar da sua saúde mental em tempos de pandemia


Você sente que perdeu o controle sobre o seu futuro?


Como o isolamento social pode alterar o seu equilíbrio emocional?


Ficar isolado ou se isolar! Entenda…



Tristeza, ansiedade, estresse, burnout e depressão o sofrimento psíquico aumentou consideravelmente desde o início do ano, período em que o estado de quarentena se tornou uma realidade no Brasil.

Diante deste cenário distópico, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) divulgou em maio uma pesquisa sobre saúde mental e comportamento dos brasileiros durante o isolamento e os resultados mostraram que as ocorrências de estresse e ansiedade aumentaram cerca de 80% neste período. Já os relatos de depressão praticamente dobraram, o que isso representa é justamente o impacto de uma crise generalizada na saúde mental da população.

O estudo ainda revelou que as mulheres tiveram uma maior tendência de sofrerem com o estresse e a ansiedade durante a quarentena. Outros fatores como alimentação desregrada, doenças preexistentes, ausência de acompanhamento psicológico, sedentarismo e a necessidade de sair de casa para trabalhar também foram apontados como fatores de risco para essas condições.

Resumidamente podemos concluir com base neste estudo algo que na prática já sabemos, ou seja, o “fora” influencia o nosso interior. Fatores que fogem ao nosso controle e desestabilizam nossa noção de equilíbrio portanto, geram consequências emocionais muitas vezes graves que comprometem nossa capacidade de resiliência diante de uma crise. Aqui fica o alerta: ao primeiro sinal de que há de fato uma reação emocional muito intensa à uma situação, procure ajuda, fale com os mais próximos, amigos, familiares e veja se é o caso de buscar apoio seja afetivo ou profissional.

Você se sente pressionado para ser mais produtivo durante a quarentena?

Muitos pacientes relataram que se sentiram culpados durante a quarentena e tiveram aumento dos sintomas obsessivos e de ansiedade, exatamente como apontado no estudo. Ou seja, mais uma vez a prática clínica nos mostra a realidade de um fenômeno social emergente. Estes sintomas se atualizam por uma série de motivos tais como, a mudança drástica nas rotinas de lazer e trabalho da grande maioria das pessoas e o fato da gravidade e complexidade da situação da pandemia em si.

Mas para complicar ainda mais essa sensação de culpa, logo nos primeiros dias de isolamento, a internet nos bombardeou com uma enorme quantidade de “sugestões” sobre o que fazer durante o tempo em casa: listas de livros, documentários e filmes; vídeos de treinamento físico; práticas de yoga, meditação, jardinagem, reforma e decoração da casa; adoção de pets e por aí segue a lista... O quanto isso ajuda de fato?

Não me entendam mal, é maravilhoso que as pessoas tenham encontrado maneiras de reinventar seu tempo durante este momento de confinamento. Contudo, quem se viu isolado, com planos desfeitos, sobrecarregado pelo trabalho ou desemprego e observando toda esta superprodutividade alheia, ficou propenso a se sentir extremamente culpado pela falta de atividades e engajamento.

Se você se sentiu assim em algum instante, tudo bem. Realmente não é fácil encarar uma situação desta dimensão. Porém se este sentimento for persistente, precisamos analisar com mais cautela a permanência deste mal estar.

Esta necessidade de ser produtivo demais, compreensivo demais ou adaptado demais, pode ser um sinal claro de desequilíbrio. Isso nos afastaria de nossas demandas e cuidados com a saúde mental e do merecido descanso do nosso corpo. É importante refletir se o que você está fazendo durante o seu dia lhe faz bem, ainda que não seja considerado algo “útil” e para além disso, como anda seu estado emocional diante de um cenário tão complexo?

Afinal, quando possuímos controle sobre o futuro?

Mas saindo um pouco deste contexto imediato, vamos pensar sobre este sentimento de falta de controle sobre o futuro. A restrição das liberdades e a incerteza sobre os próximos eventos pode ser paralisante para muitas pessoas. Entretanto, na vida, qualquer grande crise ou acontecimento inesperado pode tirar essa falsa sensação de “controle” que imaginamos ter.

Para que as situações não nos deixem com essa fantasia de impotência e sentimento de frustração, é importante voltar-se para o simples e encontrar equilíbrio naquilo que você de fato controla, por exemplo, sua rotina diária, sua alimentação, cuidados com o corpo, relações afetivas, inovação nos trabalho, revisão dos planos financeiros. Por incrível que pareça, um dos pilares que sustentam nossa percepção de que as coisas não vão de mal à pior, é justamente o cultivo dos nossos vínculos afetivos, familiares e de amizade. Mesmo estando longe é fundamental expressar a afetividade e os sentimentos de empatia com quem fez e faz diferença em nossa vida.

Terapia: uma aliada para sua saúde mental em tempos de crise

O trabalho terapêutico como suporte à saúde mental dos pacientes é uma excelente alternativa para tratar as questões emocionais. A pesquisa realizada pela UERJ, mencionada anteriormente, sinalizou também que quem recebeu ou recorreu à psicoterapia pela internet apresentou índices menores de estresse e ansiedade. Como vimos, os atendimentos online já são uma realidade e tem seus resultados comprovados em diversos estudos.

Através da terapia, os pacientes podem melhorar substancialmente seus sintomas buscando maior equilíbrio e desenvolvendo técnicas próprias para o controle emocional.

Foi possível percebermos que, durante este momento de calamidade mundial, diversas redes de apoio se formaram para atendimentos voluntários voltados aos profissionais de saúde expostos diretamente ao contágio e pessoas que perderam recursos e trabalho. A presença do sentimento humano de solidariedade é palpável, como em muitas outras crises, tais como guerras e catástrofes. Diversas ações surgiram durante esses meses, e podemos entender que uma das motivações básicas é justamente devolver à sociedade a retribuição de estarmos em uma situação de “privilégio” em relação aos outros e assim buscarmos o equilíbrio em um movimento de micropolítica em que o “dentro” pode afetar positivamente o “fora”.

Estamos frente à frente com a nossa finitude e com nossos limites humanos e sociais em última análise. É um instante de reflexão sobre o que realmente nos faz bem e quem é de fato essencial em nossas vidas.

Se você está passando por problemas relacionados à saúde mental, ansiedade, pânico, estresse, depressão ou mesmo conhece alguém que esteja vivendo assim, busque ajuda especializada.

Para quem mora fora do Brasil ou em regiões afastadas dos grandes centros, a Psicoterapia online pode ser uma ótima opção.

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2016 por patrícia cividanes