• Leonardo Maia

Autocontrole emocional: como lidar positivamente com sua agressividade


Você se sente com raiva várias vezes por dia?


Essa raiva causa reações emocionais explosivas?


Seu temperamento é imprevisível?


Você sente que não consegue controlar suas emoções?


Como usar um estado emocional de tensão à seu favor.


A falta de controle emocional pode ser causada pelo acúmulo de diversos sentimentos como frustração, tristeza, ansiedade, insatisfação, injustiça, entre outros. Neste texto vou falar, especificamente, da falta de autocontrole emocional disparada pela raiva e que pode levar ao comportamento explosivo.


Contudo, com o direcionamento, compreensão e elaboração destes sentimentos negativos, é possível vivenciarmos a nossa agressividade de uma maneira “natural, protetora e positiva”. Sair de uma posição destrutiva e passiva para uma atitude construtiva e de enfrentamento, pode trazer um sentido totalmente diferente à este estado de tensão emocional. Você sabia que, em pacientes profundamente depressivos, um dos primeiros sinais de melhora é justamente o surgimento da “raiva” em relação ao estado depressivo e ao que esta condição vem causando para o paciente?


Confira a seguir e veja como a terapia pode acelerar e potencializar sua estabilidade e equilíbrio emocional.


O que é a raiva?


A raiva é caracterizada por um sentimento de rancor derivado principalmente da irritação, do estresse e da frustração. Ela pode estar acompanhada de uma percepção de impotência frente à violação dos limites pessoais ou de uma agressão verbal e física. Vale ressaltar aqui: sentir raiva é normal e pode significar um impulso para ações positivas na vida. Inclusive, até mesmo a agressividade quando bem dosada é uma defesa importante contra situações e pessoas abusivas.


Entretanto, se sentir raivoso o tempo todo eleva os níveis de tensão e faz mal tanto para a saúde física quanto para a saúde mental. Para que essa frustração não venha à tona na forma de explosões e prejudique você e as pessoas à sua volta, é fundamental saber distinguir as fronteiras entre o sentimento de raiva, falta de autocontrole e a agressividade em resposta à uma ameaça.


Essa sensação de não controlar as próprias emoções pode ser paralisante e assustadora para algumas pessoas, especialmente numa sociedade onde é esperado que todos sejam muito bem adaptados e estáveis sentimentalmente. Muitas vezes esses rompantes emocionais começam com algo bem simples, podemos chamar isso de “gatilho”. Por exemplo um detalhe da rotina que saiu do seu controle, uma palavra dita em uma discussão, um sentimento de menos-valia que ficou mascarado ou evidente. Com o passar do tempo, essa sensação de injustiça ou mesmo agressão não encontra lugar para uma defesa, retratação ou elaboração e o resultado vem como se “de repente” a pessoa apresentasse um rompante em seu comportamento e não conseguisse mais enxergar meios de resolver a questão inicial.


Esse determinado instante de turbulência pode ser advindo de memórias associativas e o mecanismo de projeção, ou seja, situações em que se sentiu agredido ou frustrado no passado e que agora ficam associadas aos eventos no presente. Aquela “criança” que não sabia ou não podia se defender, vem à cena novamente abrindo o porão para os “fantasmas” do passado. O grande problema disso é que, comumente, estes eventos não tem exatamente relação direta com o trauma anterior, todavia o paciente acaba levando em conta a informação guardada na memória emocional e passa a lidar com o presente da mesma forma que no passado de maneira associativa e inconsciente.


Raiva x Frustração


É comum percebermos a raiva relacionada ao sentimento de frustração, porque o indivíduo não consegue viver a expectativa que criou e neste cenário se sente frustrado, diminuído e desvalorizado.


Muitas pessoas carregam o mundo nas costas e “seguram” a expressão das emoções completamente, acreditando que assim estarão controlando a raiva. Mas isso também pode ser extremamente perigoso para a saúde emocional. Quando a pessoa nunca expressa o que sente e procura fugir de conflitos, há um acúmulo de emoções tóxicas causando muitas vezes adoecimento psíquico e físico. As pessoas não “enlouquecem” por expressarem suas emoções e sim por não expressá-las.


Existem alguns sintomas físicos que surgem em pessoas que estão raivosas, claro que sempre é bom analisá-los em um contexto, mas em geral observamos: aperto no peito, punhos cerrados, “choro de raiva”, rispidez, falta de paciência, sensação de algo engasgado ou nó na garganta, aumento da frequência cardíaca e da pressão sanguínea. A maneira mais instintiva de expressar isto é através de respostas agressivas.


Aqui é importante pontuar que ataques de raiva frequentes, onde tudo é visto de maneira negativa e ações são realizadas sem medir as consequências, podem ter reflexos patológicos. Na atual sociedade da medicalização, há um diagnóstico para isso - o Transtorno Explosivo Intermitente - muitos psiquiatras acabam receitando ansiolíticos ou calmantes em consultas de 30 minutos, que não levam em conta a complexidade do indivíduo. Porém se não buscarmos as causas desta resposta emocional negativa em uma boa terapia, por exemplo, pode ser que você precise se “dopar” com calmantes por toda a vida.


Existem modos de entender e dizer como você se sente sem que seja através de uma explosão ou do ressentimento e é isso que vamos ver a seguir.


Como desenvolver maior controle emocional?

  • O primeiro passo para adquirir maior controle emocional e lidar positivamente com a raiva é compreender de onde ela está partindo e analisar o motivo (“é possível que eu esteja distorcendo a situação?”). É necessário sentir os sinais e perceber o que desencadeia essa reação, os gatilhos;


  • Em seguida, é interessante fazer o movimento de aceitar os sentimentos, e tentar expressá-los de forma calma e objetiva;


  • Procurar algum método de terapia para exteriorizar essa raiva, por exemplo, a Análise Bioenergética. Esta técnica vai direto ao ponto e busca expressar de fato a raiva em exercícios catárticos para em seguida, haver uma elaboração;


  • Desenvolver táticas que acalmem o estado emocional: podem ser técnicas de respiração, um olhar positivo para o instante, ou algo que lhe faça bem;


  • Se distanciar da fonte causadora da raiva: mudar de trabalho, encontrar novos amigos, colocar fim em relacionamentos tóxicos, mudar de casa ou mesmo incluir alguma atividade prazerosa em sua rotina.


Além disso, o aliado fundamental nesta jornada de autoconhecimento, equilíbrio e controle emocional é o acompanhamento psicoterapêutico. Um psicoterapeuta qualificado vai contribuir para a etapa de análise das emoções e juntamente com o paciente vai encontrar as maneiras mais saudáveis de lidar com o comportamento explosivo.


O autocontrole emocional é a capacidade de interpretar e responder efetivamente a uma experiência, em outras palavras, é uma habilidade crucial para desenvolvermos boas relações interpessoais, tanto entre a família e os amigos, quanto no trabalho e no cotidiano.


Se você passa por problemas relacionados à raiva ou autocontrole emocional ou mesmo conhece alguém vivendo assim, não espere que hajam mais prejuízos, procure ajuda hoje mesmo!


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