• Leonardo Maia

Os 5 sinais de assédio moral no trabalho!


Vire a mesa, você merece um trabalho que te valorize!


Como você pode saber se está sendo vítima de abuso moral ou profissional?


Seu chefe é exigente demais ou abusivo demais?

Saiba a diferença!


As relações no trabalho:

Nunca se falou tanto sobre as relações trabalhistas como nos últimos, anos. As conquistas dos sindicatos, o direito à aposentadoria, o registo formal das diaristas, o direito à férias remuneradas, a licença maternidade e paternidade por exemplo, são conceitos recentes e que demandaram muita luta por parte dos trabalhadores para fazermos valer hoje, o que consideramos como o mínimo necessário para uma relação equilibrada de trabalho.


Entretanto, mesmo com todos os avanços em nossa sociedade vemos, ano à ano, estes mesmos direitos serem questionados em detrimento do “mercado”, da “livre concorrência”, da “meritocracia” e da garantia dos “lucros” por parte das empresas e empregadores.


Segundo a Winkipédia “a palavra trabalho deriva do latim tripalium ou tripalus, uma ferramenta de três pernas que imobilizava cavalos e bois para serem ferrados. Curiosamente era também o nome de um instrumento de tortura usado contra escravos e presos, que originou o verbo tripaliare cujo primeiro significado era torturar".


Ora, e como não bastassem a origem pouco inspiradora da palavra e as dificuldades no campo formal e contratual, patrões e empregados muitos vezes estabelecem relações claramente patológicas onde emergem o exercício e abuso de poder em decorrências de pressões externas ou puramente por fenômenos "projetivos", termo da psicanálise que basicamente é o fenômeno de se projetar nos outros e em suas ações, ou seja, "o que está dentro é mal compreendido como vindo de fora" (McWILLIAMS, 2014). Isso é uma sinal claro de que há um ambiente adoecido, opressor, com hierarquia desequilibrada e pouco adaptado à conceitos colaborativos mais humanizados.


A terapia como suporte ao desenvolvimento de carreiras:

O aumento na demanda por atendimento psicológico pelos trabalhadores sejam formais ou informais e o crescente número de queixas relacionadas às condições trabalhistas nos consultórios, nos trazem a necessidade de discutir e lançar luz sobre a escuridão que permeia a disputa pelos “pequenos poderes” e seus efeitos diretos na saúde mental e social dos ambientes de trabalho.


Certamente você já presenciou ou foi vítima de algo parecido, muitas vezes só nos damos conta e nomeamos este cenário tarde demais, algumas pessoas chegam à perder o emprego ou não conseguem um desenvolvimentos satisfatório da carreira pois ficam, “travadas”, em situações e armadilhas psicológicas abusivas aparentemente insolúveis.


Como efeito, desenvolvem síndrome de “burnout”, depressão, síndrome do pânico, fobia social demandando quase sempre uma recuperação mediada por terapia e medicamentos psiquiátricos, ou seja, um investimento alto diante de um problema que poderia ser evitado ou contornado somente com uma boa terapia por exemplo. Nesse arranjo há prejuízos emocionais e financeiros tanto para o colaborador quanto para a empresa.


Porém a ideia aqui é exatamente trabalharmos um pouco mais este tema na direção de um esclarecimento para que, caso você se identifique, seja capaz de recorrer à ajuda e reverter esta situação em seu próprio benefício.


Por isso, hoje vamos falar um pouco sobre o mundo do trabalho, sobre as relações de poder contemporâneas e como a psicoterapia pode te ajudar a entender e a viver melhor sua vida profissional.


Se você se interessa sobre este tema continue lendo o texto!


O trabalho como Vampiro dos Desejos:

Peter Pal Pelbart, em seus estudos sobre as relações sociais na contemporaneidade, nos afirma que o mundo do trabalho “vampiriza” muito mais do que somente a força física dos sujeitos, as formas de exploração podem ir muito mais além.


Segundo Pelbart, o mercado dado como “biopoder”, termo cunhado por Michel Foucault, subtrai abruptamente a criatividade, a subjetividade, o psiquismo, a afetividade, a libido e até os desejos inconscientes do trabalhador, que também pertence a intitulada "classe de consumo".


O impulso consumista, o apelo midiático e a imposição de paradigmas vitais são sementes lançadas com capacidade muito fértil na vida desses indivíduos que precisam trabalhar cada vez mais, depositar sua criatividade, força e vigor físico na busca de experimentarem formas de vida que compensariam suas angústias e privações impostas pelo trabalho. Isso é um ciclo infindável e que sempre gera certa insatisfação pela idealização do consumismo. Neste loopping, somos levados ao “assujeitamento” por este sistema de biopoder para então, reiniciarmos a busca por algo que compense tanta pressão e sofrimento.


Desta maneira, acredita-se que o trabalho, quando vivido como algo nocivo, representa atualmente a patologia da solidão e do desamparo, pelo fato de que os empregados se vêm atrelados a um poder “gerencialista” cuja qualidade de trabalho deve ser máxima, trazendo para o âmago das relações de trabalho as estratégias exageradas de controle e produtividade.


Neste contexto, é negada a condição de existência do sujeito que pode falhar, sendo aquele que não tem direito de sofrer em sua conjuntura humana. Assim, o fato de estarem empregados e receberem seus benefícios, faz muitos trabalhadores se submeterem ao assédio moral por medo de perderem seus empregos ou se depararem com a perspectiva de um trabalho informal.


Por gerações ouve-se que "o trabalho dignifica o homem" uma vez que lhe entrega o sustento e, dessa forma, propicia condições de vida amena, sem demasiadas preocupações financeiras.


Uma frase que pode ser desconstruída totalmente hoje pois perdeu o peso de uma verdade absoluta e inquestionável. Já faz algum tempo que temos percebido que o resultado de grande parte dos trabalhos formais é justamente o fato de ocorrer a despersonalização do sujeito que realiza seu trabalho, fragilizando exatamente em sua posição dentro de uma hierarquia.


Quantas pessoas você conhece que dizem ou já disseram: -Eu gosto do meu trabalho!

Isso é raro hoje em dia, mas pense bem, não seria na verdade esta a regra básica para uma sociedade mais equilibrada e justa? Isto é, amar o seu trabalho e amar aquilo que se faz devolvendo para a sociedade nossa contribuição enquanto agentes políticos e sociais.